Não existe engano quando a pele é negra

Por Fernanda Evarista

Militares do Exército Brasileiro fuzilaram por “engano”, com 80 tiros, um carro de passeio na periferia do Rio de Janeiro, policiais “confundem” guarda-chuva com arma e matam garçom, brasileira é morta por engano pela polícia portuguesa, policial confunde saco de pipoca com drogas e matam adolescentes, entre outras tantas manchetes que vemos todos os dias. Situações distintas, “enganos” fatais que possuem uma única característica em comum, a cor das vítimas.
Todas as vítimas das manchetes citadas eram negras. Vivemos em um país que o mero fato de ser negro já torna o indivíduo altamente suspeito, passível de ser vítima de equívocos que lhe custam a vida, a liberdade e, principalmente, a dignidade humana prevista na Declaração Universal dos Direitos Humanos. O Brasil é um país que preferiu varrer suas barbáries históricas para de baixo do tapete, como os 300 anos de escravidão que até hoje é contado pelos escravagistas e não os escravizados e com isto se criou o mito de ser um país pacifico, por ser miscigenado e sem preconceito.
O racismo institucional se mostra nos “enganos” rotineiros das forças de segurança, que confundem e matam negros estudantes nas periferias, ao mesmo tempo que pedem “com licença” aos brancos traficantes nas áreas nobres. O racismo velado se mostra quando um pai de família tem seu veículo parado com 80 tiros e mesmo assim existam pessoas que questionam a conduta do homem, ou quando um imigrante colombiano negro é “presenteado” com uma marmita de comida com cacos de vidro.
Enquanto o Brasil não passar sua história a limpo, reconhecer seus erros e passar a mudar gradativamente a forma de educar e respeitar todos os tons de pele, “enganos” continuarão sendo “normais”. E os negros e negras terão sempre um alvo de “engano” marcado na pele.

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