Sobre Diversidade, Representatividade e Mediocridade: A que ponto chegamos, Brasil?!

Sinto-me desgovernada. Em meus pensamentos poéticos, é bem verdade, isso é uma constate.

Por Dy Eiterer

Mas, dessa vez, vai além. Extrapola. Estou desgovernada politicamente. O atual zelador da República e sua corriola de filhos, que insistem com posturas dignas de um grupo de meninos mimados, do 6° ano, na última semana assumiram, de vez, um plano de negação do Brasil. A primeira pérola chama-se censura. Afeta-nos na representatividade, na diversidade, na identidade. Ao derrubar uma peça publicitária do Banco do Brasil com protagonistas negros e “jovens lacradores” sob o argumento de valorização da família, percebo a que modelo querem nos retroceder. A juventude negra que até pouco tempo não era contemplada nos veículos de comunicação está em vias de ser novamente calada. Querem minar a representatividade negra tão duramente conquistada nas propagandas publicitárias, nos telejornais, nas revistas. Querem voltar à marginalização, ao legado da baixa autoestima e, principalmente, com a perpetuação da branquitude, que afeta diretamente  os valores estéticos dos padrões de beleza, subjugando as diferenças, a diversidade. É um exercício (antigo) da naturalização do racismo. A diversidade em sua mais ampla conceituação também sofre duros golpes, especialmente se o grupo em questão for o GLBTT+. Parece haver um esforço em institucionalizar uma histeria coletiva com relação ao gay, ao passo que, questões que deveriam se restringir ao foro íntimo se tornam públicas sem o menor tato. Mas, não bastasse o ataque à representatividade e à diversidade, o machismo surge atrelado ao discurso, quando, de repente me deparo com um pronunciamento que afirma:  “Quem quiser vir aqui fazer sexo com uma mulher, fique à vontade”, disse Bolsonaro, o zelador da República. Nem de longe esse homem sabe o peso que é ser mulher no Brasil cujos índices de feminicídio são alarmantes e não param de crescer.  Cujos crimes violentos contra as mulheres bate recordes a cada mês. Atacam nossa representatividade, nossa diversidade, querem forjar uma identidade que não reconhecemos e nos reduzem à sua mediocridade conceitual, cada vez mais afastada da humanidade, da empatia, do orgulho. Chimamanda  Adichie afirma que se repetimos uma coisa várias vezes, ela se torna normal. Se vemos uma coisa com frequência, ela se torna normal. Eu tento ver além dessas repetições. Tento ver o meu presente pelas lutas do passado, rompendo com essas amarras e com essa mediocridade. 

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