Balbúrdia

“Balbúrdia: (s.f.) Ministro da Educação promover desmonte de Universidades Públicas de excelência”. E, agora, reduzir os investimentos da educação básica.Há mais de uma semana sofremos com a notícia da perda de 30% do orçamentos de 3 grandes universidades públicas (UFF, UnB e UFBA) que, posteriormente, se estendeu a todas as instituições de ensino superior (IES).

Por Dy Eiterer

Para completar o pacote, foi anunciado o corte no Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). Não era de se esperar outra medida depois do anúncio de que cursos da área das Ciências Humanas e das Ciências Sociais (puras e aplicadas) não trazem “vantagens” ao país. Se fossem apenas absurdas, já bastaria minha indignação, mas eis que em breves estudos sobre a pauta, deparo-me com a colocação de que, pelo menos uma das ações é fora da lei.Legalmente, não é possível cortar ou contingenciar o Fundeb, já que ele é “um fundo especial, de natureza contábil e de âmbito estadual, formado, em maioria, por recursos provenientes dos impostos e transferências dos estados, Distrito Federal e municípios”.Temos, então, um desmonte criminoso, vil, mas que cumpre seu papel dentro de um governo mal intencionado em relação ao seu povo.Se Alice não sabe para onde vai, qualquer caminho serve! Um país com cidadãos apáticos, acríticos e formatados pelo sistema será para sempre reprodutor (e defensor) daquilo que o oprime. Apesar das super TVs de dezenas de polegadas, de estarmos na dita Era da Informação, conjuntamente vivemos um retrocesso amplo, histórico, social, educacional.Estamos em vias de sermos mergulhados no esquema do velho filme em escala de cinza cujo personagem principal vive de ajustar engrenagens. E esse é todo o conhecimento que ele tem: acordar-trabalhar-pagar boleto-dormir e repetir sacramente sua rotina. Estamos nos tempos modernos, discutindo temas modernos, quando, em se tratando do tempo na História, muitos dos direitos que estamos abrindo mão foram debatidos e duramente conquistados. Para início de conversa, para que a balbúrdia seja compreendida, o primeiro passo é perceber como essas ações atingem nossa cidade. Ajustar o foco local é importante: Hoje, no que tange o Fundeb, os professores terão uma perda real em seus salários, já tão baixo. Na UFJF, são dezenas de comunidades que perderão auxílio social, formação escolar, desenvolvimento cultural. Não só enevenenaram a fonte. Estão querendo seca-la. O desmonte é um projeto muito bem definido: acabar com nosso direito a pensar, questionar, pesquisar. Com os cortes nas federais, a pesquisa sofre um baque que trará consequências difíceis de serem reparadas no Brasil. Querem nos transformar no Espantalho de Oz: inertes, funcionais, corpos abandonados no mar da ignorância. Eles nos querem marionetes. Eles seguem o desmonte a toque de caixa, nós assistimos a tudo, reclamamos do sofá, vendo TV.  Já estamos contaminados pela essência derrotista ou reunindo forças para lutar? Amanhã pode ser tarde. Podemos não ter nem mais pesquisas. Podemos parar no tempo ou, pior, voltar no tempo. As fogueiras se anunciam: jogaremos nelas nossos livros, nossas vidas ou seremos resistência ativa? Catilina segue a testar nossa paciência, mas, em cartazes pelas ruas, em mensagens em grupos de resistência eu vejo a esperança: greve geral. A aula será nas ruas e luto, verbo. Balbúrdia, senhores, senhoras, é cercear o direito de pensar. É nos igualar ao despreparo e incoerência dos que nos desgovernam.

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