O Café Nosso de Cada Dia

Qual a bebida mais conhecida no mundo por agregar pessoas? Engana-se quem, de bate-pronto, pensou na cerveja (que não é menos importante, que fique claro!). Mas o título de bebida agregadora de pessoas cabe ao café. Aproveitamos que o Dia Nacional do Café foi comemorado em 24 de maio e inauguramos uma série de textos para falar dessa bebida.

Por Dy Eiterer

No Brasil, a data comemorativa foi inserida no calendário de eventos nacionais pela Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), em 2005, e relaciona-se com o início das plantações, em grandes escalas, do grão em território nacional. O café chegou ao Brasil em meados de 1720, século XVIII, na província do Pará, pelas mãos de Francisco de Melo Palheta, que trouxe a planta da Guiana Francesa. De lá, o cultivo chegou ao sudeste e, em Minas Gerais, encontrou solo adequado e fazendeiros dispostos que tornaram o estado o maior produtor de café do país e, também, maior exportador do grão, com qualidade reconhecida em nível internacional através de prêmios.

Se o café foi o maior produto movimentador da economia nacional e ainda hoje é grande responsável pelas exportações e consumo interno, não nos resta dúvidas de que ele é uma paixão dos brasileiros e em Juiz de Fora não poderia ser diferente. A cidade da Zona da Mata Mineira, no século XIX, chegou a ter 20 mil escravos trabalhando nas lavouras cafeeiras e encontrava-se entre os municípios de maior produção no país. Foi em função dessa enorme produção que Bernardo Mascarenhas conseguiu, junto ao imperador D. Pedro II, fundar o Banco do Crédito Real (atual Museu do Crédito Real) e também, devido às movimentações cafeeiras, a Praça da Estação se desenvolveu como principal área de comércio da cidade no século XIX e XX.

Casas de Café eram os locais frequentados pela elite intelectual e política da cidade, sendo palco de conversações e planejamentos políticos e sociais de Juiz de Fora. Em meados de 1902, no escritório de Batista de Oliveira, em Paris, circulavam propagandas de que o café de Juiz de Fora seria o melhor do Brasil. Hoje, não despontamos mais como região produtora de cafés, mas há uma crescente movimentação nas linhas locais de cafés especiais e gourmets, com marcas que investem não só na qualidade do grão e da torra, mas no beneficiamento do pó para o preparo da bebida. Na série O Café Nosso de Cada Dia, passaremos pela história do café, sua chegada ao Brasil, em Juiz de Fora, as formas de se preparar e beber um bom café e, claro, as opções tradicionais e outras mais ousadas de se degustar a infusão tão escura quanto a noite, mas tão saborosa e quente quanto os beijos da pessoa amada.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: