NO CORPO CERTO!!

Um questionamento ao ativismo LGBT atual – escrito por um jovem gay

O maior conflito que já tive até hoje em minha vida foi com minha própria sexualidade; ainda hoje é problemático ser um cara gay e mais problemático ainda ser uma mulher lésbica.

Por Kláus Lovengsthy

A homossexualidade ainda é tão estigmatizada que existir sendo gay, lésbica ou bissexual é lembrar disso todos os dias da sua vida. Todos os dias algo na correria do meu dia-a-dia me faz lembrar que eu sou gay, e eu de vez em quando me pego pensando se pessoas heterossexuais também pensam na sua própria sexualidade. Olha que louco.

O movimento lGbT me deu o amparo que eu não tive quando adolescente. Assim que consegui entender que eu sou um homem gay, isso foi algo que me ajudou bastante a conviver e aceitar minha sexualidade; os conselhos que recebi dessas pessoas durante essa fase da minha vida foram de suma importância.

Mas algo que me deixa muitíssimo decepcionado de uns tempos pra cá é o rumo que o movimento tem tomado: Eu vivi pra ver o movimento que me deu suporte durante minha adolescência agora me excluir de espaços ditos para gays, lésbicas e bissexuais por discordar do conceito de “identidade de gênero”. Eu vivi pra ver pessoas a minha volta se tornarem “trans” e se sentirem ofendidas quando chamadas de lésbica ou gay, quando outrora elas que me ensinaram a amar ser o que essas palavras significam. Eu vejo o movimento lGbT silenciando mulheres todos os dias por não aceitarem serem definidas como um “sentimento”.

Eu me lembro da dificuldade que eu tive quando criança em ser como os outros meninos, brincar de carrinho, de futebol, e hoje eu vejo pessoas dizendo “eu sou homem porque desde criança sempre gostei mais de roupa de menino, de brincar de carrinho, etc.” e eu me sinto tão ofendido…

Eu saí da maioria dos grupos destinados à comunidade lGbT porque não aguentava mais ver publicações sobre “crianças trans” e toda vez que eu lia essas publicações eram sempre sobre um menino afeminado e ninguém enxerga o quanto é problemático dizer que um menino não é menino por ele ser afeminado; será que não passa na cabeça dessas pessoas a possibilidade de que é possível ser homem e ser afeminado ao mesmo tempo?

O movimento que nasceu para lutar pela despatologização da homossexualidade na década de 90, pelo direito a ter seus relacionamentos legitimados pelo Estado, pelo direito de existir… esse movimento está se esvaindo a cada dia que passa, de modo que é cansativo até para membros dele participar de seus debates.

A real preocupação da comunidade é qual pronome usar pra cada pessoa, jogar pinto para mulheres lésbicas e as chamarem de transfóbicas se elas não quiserem pinto, atacar feministas que não aceitam a proliferação de estereótipos de gênero como indicadores de ser homem ou mulher, compartilhar vídeos de travestis usando o termo “viadinho” para ofender inclusive outras travestis e acharem isso muito lacração e criar 30 gêneros por semana no Tumblr pra cada pessoa com sua respectiva personalidade.

Eu não me imaginava escrevendo um texto para criticar o movimento lGbT, visto que este me deu o suporte que eu precisei quando não havia ninguém para fazer isso para mim. Mas olha que irônico, agora estou escrevendo, porque esse movimento passou a fazer algo que a sociedade já faz há tempos: excluir e atacar pessoas que pensam diferente.

FONTE: LGBT NEWS.

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