Dança de Espadas

Por Dy Eiterer

Danço a noite, a madrugada passa:

Afio o gume da espada e a equilibro bem:

Se na cabeça, corto os pensamentos,

Se no quadril, a vontade não vem.

Fio a fio vou tecendo poemas,

Escrevo com a destreza da artesã:

Tenho dias de costureira, amarrando destinos;

Tenho dias de bordadeira, enfeitando silêncios e desatinos.

Tenho o espaço de uma cama inteira,

Tenho febre contida em lençóis,

Tenho traços de mulher rendeira,

Mas que despe toda renda, quase-faceira.

Tenho nas mãos a magia,

O bem querer, e lhe quero, meu bem!

Mas reservo ao tempo o papel de algoz:

Mata-me ele, lento ou veloz.

Não serei eu a musa da persistência,

Nem carregarei angústias de desistência.

Uso o espelho de Clio,

E tudo aquilo que vi e vivi é guardado na retina,

É tudo aquilo que vi e quis,

Virou reflexo contido às bordas dos cílios,

São histórias do fim dos meus dias:

Se não saciadas as bocas, mãos e quereres,

São aplacadas a mudez, o traço e outros prazeres.

A poesia não é concreta, mas eterna

E, ainda que éter, preenche meus vãos…

Ao contrário de quem só aumenta vaus…

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