Cafeomancia: O Futuro através de uma Xícara de Café

Série: O Café Nosso de Cada Dia

No artigo anterior, vimos a criação da primeira Casa de Café do mundo, o Kiva Han, que só foi possível porque o sultão Suleiman, o Magnífico (Kanuni, o Legislador, para os orientais) se encantou pelo café e o espalhou pela corte, inclusive, criando a função de Kahvecibasi (uma espécie de “chefe do café”), um cargo de confiança do sultão apenas para preparar a bebida.

Por Dy Eiterer

É sabido que, na Turquia, os espaços sociais para homens e mulheres são diferentes e fora do âmbito familiar e, por isso, as mulheres não podiam frequentar as Casas de Café. Foi, então, nesses espaços mais restritos e reservados apenas para as mulheres, principalmente no harém do sultão, que se desenvolveu a técnica da leitura da borra de café.

Com os anos e a expansão do café como uma bebida popular, inicialmente na Turquia e, depois, em países do Mundo Árabe como o Irã e expandindo-se até a Rússia e o norte da África, a leitura da borra de café virou tradição especialmente entre as mulheres.

Na Europa, a prática chegou só no século XVIII, através da França, mas foi em Veneza, na Itália, importante centro comercial que a prática se difundiu pelo mundo.

Trata-se de uma prática de interpretação das figuras que se formam a partir da borra do café que fica na xícara após se beber o café turco (veja receita no final e saiba mais em Um Café e Dois Dedos de Prosa) e exige muita concentração e sensibilidade por parte da leitora.

Normalmente, para a leitura são usados uma xícara e um pires branco e o café turco (preparado com o pó bem fino, em infusão no cevze ou ibrik). Não há problemas da bebida ser adoçada, desde que, após terminada não se mexa na xícara para não interferir nas imagens formadas pela borra.

Algumas leitoras desenvolvem um ritual para se tomar o café que passa pelo preparo (deixando-o em infusão ou permitindo que fique em fervura por mais de uma vez), pela concentração no pedido/pergunta ao se beber o café e no tempo de descanso da xícara emborcada no pires para que a borra forme os desenhos a serem lidos.

Ainda hoje as técnicas de leitura da borra do café são comuns, mas não se restringem mais apenas ao Mundo Árabe. Com sua expansão para o sul da Rússia, muito grupos ciganos aprenderam as técnicas e também praticam essa arte.

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