Saciedade

Por Dy Eiterer

Haverá um momento terminal

Em que os olhos se fecharão.

Não mais como guardiões do gozo,

Não mais decorando seus contornos.

E restará, em algum escombro de memória,

Tudo o que já fomos um dia.

O corpo deitado

O sabor à prova

Na ponta da língua

Calores eternos

Vapores de desejo

O milagre do toque,

Os tremores da alma

Seu cheiro na boca

Seu beijo em meus olhos

Outrora e agora.

O mundo girando,

Sombras gritando,

Povoamos desertos,

Fomos árabes em tecidos secretos

Véus descobertos

Caídos ao chão

Recolhidos em beijos

Nas palmas das mãos.

Saberemos que colhemos flores,

Que semeamos histórias

Sentados nas sarjetas,

Embriagados de versos,

Entregues à lua.

E diante do findo tempo

O último suspiro será intenso

Da lembrança, da madrugada,

Da noite inteira que nos foi morada.

E o mundo, lá fora, que se acabe

Porque já experimentei e domei a eternidade,

Porque descansarei livre e saciada.

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