Corpo-texto

Dy Eiterer

Imagem: livro “Habibi”, Craig Thompson

Tenho um corpo-poesia
Marcado por história,
Cicatrizes, estrias.
São as letras do tempo.
São os pontos finais que vivi.
As reticências dos abandonos
(Que cometi e sofri).
São os dois pontos que anunciam:
O novo, o porvir, o leitor.
Todo texto tem sua língua,
Sua trajetória, mística, encanto.
A todo texto cabe uma tradução,
Uma interpretação,
Uma aceitação.
Aceito-me corpo-texto
Lido, relido, marcado.
Aceito-me corpo-poema
Com muita rima,
Pouco assunto,
Inconsistências,
Intensidades.
Sem compromisso de forma,
Com o compromisso do verbo:
Ser
Fazer
Deixar-se ler.
Tenho um corpo-livro
E, às vezes, posso ficar em sua estante,
Mas, meu lugar favorito é entre suas mãos
E, depois de folheado,
Pousado em sua cabeceira,
Habitando sonhos,
Inspirando desejos.

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