Existência

Dy Eiterer

A poesia existe
E envolveu-me em seus braços.
Abrigou todo meu corpo
Num apertado abraço,
Segurando-me (forte) pela cintura
E tirando meus pés do chão.
A poesia foi-me sussurrada
Ao pé do ouvido
Como prece,
Como sentença
De atear fogo
E incendiou-me.
E queimei 
Mais do que todas as fogueiras
Porque meu fogo interior,
Minhas próprias chamas,
Eram muito maiores.
A poesia existe e tocou-me
A pele, os sentidos,
Como se fossem pontas dos dedos
Desbravadores de entrefolhas
De poesias outras, suaves,
Constantes, cadentes,
Mas, dessa vez, era mais rompante,
Era num repente,
Era mais necessária e visceral
Era a poesia reclamada
Como alívio
Como repouso
Como desejo
Como única e primeira saída
De alma humana em queda:
Era a salvação do corpo que queima
Ao mesmo tempo em que era brasa
Que o aquece e mantém vivo.
A poesia sufoca para dar ar.
A poesia existe
E desde que me tocou
Habita em mim.
Ouso dizer:
A poesia é vida.

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