Chá ou café das 5? – O café na Inglaterra

Dy Eiterer

Não é à toa que a Inglaterra está sempre relacionada ao chá: o costume tradicional de se consumir a bebida é sua marca registrada.

Mas no mesmo período em que os holandeses se destacaram na difusão da bebida, a Inglaterra se tornou um dos principais polos das Casas de Café do mundo e, em 1672, só a cidade de Londres chegou a ter cerca de 600 estabelecimentos  especializados na bebida.

O café chegou na Inglaterra através dos árabes muçulmanos pelas rotas do Mar Mediterrâneo devido a um acordo comercial entre o Império Otomano e a Rainha Elizabeth I, pelo qual os chás asiáticos, o café e o chocolate chegassem aos portos ingleses.

Segundo relatos, a bebida foi apresentada por um turco na universidade de Oxford e deu-se início a um Clube de Café, fundado por professores e alunos.

Também em Oxford, um judeu, Jacob, teria inaugurado a primeira Casa de Café da Inglaterra, em meados de 1650, que incentivou a abertura de novos estabelecimentos, inclusive, em 1654, inaugurou-se a Queen’s Lane Coffee House, a mais antiga Casa de Café em funcionamento da Inglaterra (e cuja foto de como é o local hoje pode ser vista na nossa imagem principal).

Termos próprios do mundo do café também surgiram na Inglaterra, como o “penny universities”, usado para se falar das casas de café, já que com apenas um penny (moeda local, correspondente a 1 centavo de Libra) era possível se tomar um bom café nas casas especializadas.

Hoje, poderíamos dizer que as Casas de Café eram espaços não formais de aprendizagem, reunindo diversos professores, poetas e intelectuais em suas mesas e salões, e também jornalistas que divulgavam nelas os seus furos de notícia.

Já na cidade de Londres,  a primeira casa de café inaugurou-se em 1652. O estabelecimento era de um grego, Pasqua Rosée, especialista em torra e no preparo do café turco e o apresentou aos ingleses. Um dos pontos abordados pelo grego para ganhar seus clientes, além do sabor e aroma dos cafés, eram as suas propriedades medicinais.

Os ingleses sofreram uma mudança em sua rotina com a inserção do café, como, por exemplo, na diminuição dos casos de violência (que ocorriam pelos níveis de alcoolismo dos ingleses que, antes do café, bebiam vinho e cerveja) e no aumento dos momentos de discussão política que ocorria nas cafeterias.

E, por ser um celeiro de conversações políticas, as críticas ao reinado surgiram e, em 1675, o Rei Charles II determinou o fechamento de todas as casas de café, mas logo a determinação foi suspensa, porém, o declínio desses espaços já havia começado.

Um ano antes, em 1674, as mulheres inglesas já tinham publicado uma petição pública contra o consumo de café, que conheceremos no próximo post. Até a próxima semana!

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