Mordidas

Dy Eiterer

Eu não sei de onde vens
Nem os caminhos que percorres
Tampouco imagino onde está a planta dos teus pés
E se teus sonhos se movem
Mas é aqui, sob os meus olhos
Que teus olhos se fecham
E teu corpo é entregue ao cansaço rotineiro
É aqui, semeado em mim,
Em cada canto-breu desse quarto
Que tua sombra se perde
Se mistura à pele, à roupa largada,
À madrugada, à quietude da alma.
É aqui dentro de mim que fazes tua morada
E se te quero mais junto, minha prenda,
É porque o silêncio é demais
E só o teu nome rompe essa urgência
De sussurrar absurdos e desvarios 
Como se fossem gritos,
Como cristais quebrando entre os dedos.
Eu não sei se vens ou se vais,
Mas, reviro as horas 
E vejo a noite a morder o dia
E são teus dentes a morder-me o juízo
Menos reais do que gostaria

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