Ofertório

Dy Eiterer Será, então, quando meu corpo-diaEstiver cansado ou aflito,Carente de pouso ou alegria,Que verei em ti meu lugar bendito.Serás para mim como a noite:Umas mãos e uns braços envolventes,Alívio para alma, abandono do açoiteQue me para nas costas quando de ti fico abstinente.Serás o peito no qual me entregoTal qual altar dos deuses,Tal qual... Continuar Lendo →

Fagulhas

Dy Eiterer Na falta do que sentir, encarava as paredes.Na falta do que cantar, calava as esperanças. Emudecia até os Chicos (Buarque, Cesar, Science) com seu desprezo pelo som próprio e alheio.Imersa na solidão que cobre as casas nas madrugadas e toma lugar até nas camas dos casais, estalava os dedos e imaginava faíscas.Faíscas.Centelhas.Fagulhas.O instante... Continuar Lendo →

Outra via

Dy Eiterer Não sou sua ferida,Mas sou de carne, viva.Com o calor do sangue,Com a cor dos desejosE entre suas mãos,Sou outra via,Outra poesia.Aquela que já recebeu escrita,Mas que lê como lhe convém.Entrelaçar de caminhos,De mãos, de pernas, de sonhosCabe seu nome em meus lábiosCabe seu verso em meu compasso,Mas eu, que sou de impulsos,Saberei... Continuar Lendo →

Mordidas

Dy Eiterer Eu não sei de onde vensNem os caminhos que percorresTampouco imagino onde está a planta dos teus pésE se teus sonhos se movemMas é aqui, sob os meus olhosQue teus olhos se fechamE teu corpo é entregue ao cansaço rotineiroÉ aqui, semeado em mim,Em cada canto-breu desse quartoQue tua sombra se perdeSe mistura... Continuar Lendo →

Existência

Dy Eiterer A poesia existeE envolveu-me em seus braços.Abrigou todo meu corpoNum apertado abraço,Segurando-me (forte) pela cinturaE tirando meus pés do chão.A poesia foi-me sussurradaAo pé do ouvidoComo prece,Como sentençaDe atear fogoE incendiou-me.E queimei Mais do que todas as fogueirasPorque meu fogo interior,Minhas próprias chamas,Eram muito maiores.A poesia existe e tocou-meA pele, os sentidos,Como se fossem... Continuar Lendo →

Corpo-texto

Dy Eiterer Imagem: livro "Habibi", Craig Thompson Tenho um corpo-poesiaMarcado por história,Cicatrizes, estrias.São as letras do tempo.São os pontos finais que vivi.As reticências dos abandonos(Que cometi e sofri).São os dois pontos que anunciam:O novo, o porvir, o leitor.Todo texto tem sua língua,Sua trajetória, mística, encanto.A todo texto cabe uma tradução,Uma interpretação,Uma aceitação.Aceito-me corpo-textoLido, relido, marcado.Aceito-me... Continuar Lendo →

Explosões

Dy Eiterer Todo movimento é explosãoImpulso maior(Do corpo e das ideias)Ação desmedidaO voo intrépidoResultado das ebulições internasEssas que me consomemQue me fazem ferverQue me levam por sua contaPara meus desejos mais profundosQue a sensatez manda esconderCá estou euEm efervescênciasEm caloresEm vaporesEm explosões

Vastidão

Dy Eiterer E no vasto mundo da Primavera, voam as borboletas.Não sabem que são limitadas pelo azul,Só existem e colorem o ar.Só lá fora, onde ainda restam flores.Aqui, do lado de dentro,Sobre nossas cabeças o céu parecia desabarTudo era cinza e concretoÁgua podre, fumaça e vento.Pouca esperança sob escombrosE a força bruta se esvaindo.Onde estava... Continuar Lendo →

Explosões

Dy Eiterer Todo movimento é explosão Impulso maior (Do corpo e das ideias) Ação desmedida O voo intrépido Resultado das ebulições internas Essas que me consomem Que me fazem ferver Que me levam por sua conta Para meus desejos mais profundos Que a sensatez manda esconder Cá estou eu Em efervescências Em calores Em vapores... Continuar Lendo →

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